Redes de proteção

Ontem vieram em casa. Instalaram redes nas janelas do meu décimo quarto andar, com uma gata danada. Fiquei bem mais tranquila abrindo as janelas e deixando o ar entrar. O ar revigorou a casa, mudou a energia. O barulho da rua me tirou de uma espécie de solidão forçada pelo medo de acontecer alguma coisa ao meu amorzinho peludo. Agora, apesar do frio, o vento está refazendo a energia.

A vida, tudo é uma sintonia muito fina. É preciso atenção, 24 horas por dia. É preciso orar e vigiar. Alguns segundos de distração e esquecemos duas caixas de quiches integrais congeladas em cima da pia, e precisamos jogar tudo fora no outro dia. Alguns segundos de loucura e falamos coisas que não queríamos ter dito. Soltamos os cachorros em cima daqueles que amamos.

E apesar de saber que não tinha jeito, ainda doí. Dói a saudade. Dói a distância. Alguns dias doem mais, outros menos. Hoje, uma amiga querida foi fazer um tipo de pulsão na mama. Doeu, ainda doí, ela disse. Mas vai passar. Minha dor também vai. Minha co-dependência está curada (na verdade, não existe cura e sim controle) e agora é só a dor da separação e da saudade. Sentimentos , esses danadinhos. É só deixarmos as janelas sem proteção que eles pulam. É preciso muito cuidado. Mas as redes já estão instaladas.

Recuse a se considerar uma vítima no relacionamento. Saiba que você tem inteira participação em qualquer jogo que esteja acontecendo.

Meditações diárias para mulheres que amam demais – Robin Norwood

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