Somos um monte de coisas

Fiz esse blog para ser o meu, pessoal. Para ter o mesmo formato que eu tinha no Minissaia.com, há séculos atrás, e que era a ideia original do que era um blog: um diário virtual. Muito tempo depois, e depois de andar em muitos mundos, me vejo aqui, de novo, com as mesmas ideias que nunca, jamais saíram da minha cabeça. Um pouco mais elaboradas, é verdade…rs

Interessante porque a vida ela dá voltas, mas sempre volta ao ponto inicial e necessário. Quando eu lancei o Minissaia.com, em 2001 (sim, ainda era possível comprar esse domínio com certa facilidade) a internet era só mato. E eu era uma voz falante nesse universo, com uma audiência que englobava meus amigos da faculdade e poucos familiares, com muita sorte. Não tinha muito o que fazer, a força da internet era só uma promessa. O meu blog fazia certo sucesso, assim como a minha página sobre Bridget Jones, a maior comunidade do Orkut, e acabei nas páginas da Revista Cláudia, numa entrevista concedida no T.G.I. Fridays, primeira versão, pela Patrícia Zaidan. Em pessoa.

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Mas mesmo com o Universo dando tanta pinta, eu ainda não conseguia. Não consegui focar no blog. Não consegui superar a falta de apoio da minha família, que só queria que eu arrumasse um emprego remunerado das 9 às 17. Não consegui superar o fato de estar fazendo um curso completamente diferente. Não conseguia entender que a minha alma de publicitária criativa e meu Sol em Áries eram fortes demais para serem ignorados.

Cheguei a lançar um blog sobre gordinhos (na época, foi o nome que me ocorreu) muito antes da Renata Poskus pensar nisso e ser a potencia que ela se tornou. Mas a ideia parecia absurda, as pessoas riam na mesa de jantar e me mandavam, de novo, procurar um emprego. A briga em casa era feia. Muito feia. Feia a ponto de eu pensar que não estava valendo a pena perder horas na internet mandando arquivos em FTP, depois da meia noite, quando o pulso da internet era único. A conta de telefone era alta e eu ouvia e ouvia e ouvia. Estudava psicologia, fazia terapia,mas meu coração não conseguia encontrar aquela coisa que estava lá o tempo todo.

Depois que tirei o Minissaia do ar, comecei a fazer artigos e mandar para o STUM, um site que você paga e consegue publicar seus textos. Estou lá há anos, escrevendo e tendo uma repercussão maravilhosa. Percebi que as pessoas liam, que as pessoas gostavam do meu jeito de escrever e isso me estimulou . Me formei em psicologia, montei um pequeno consultório com coisas compradas na ponta de estoque da Tok&Stock para jogar tarô e atender como psicóloga.

Mesmo assim as coisas não andavam. O consultório não gerava os lucros necessários para se manter. Fora isso tinha a depressão, tinha a síndrome do pânico que ia e voltava, as horas de terapia e de medicamentos. Tinha um relacionamento amoroso conturbado, tentativas e mais tentativas de emagrecer e o olhar de “coitada, ela é doente” da grande maioria das pessoas.

Mas eu nunca me conformei com isso. Eu nunca baixaria a cabeça e ficaria conformada em ter uma vida de merda, cercada de médicos e psiquiatras, e querendo morrer por não estar nem perto dos meus sonhos. Veja bem, os sonhos estavam lá, eu sabia o que queria deles, mas eu não tinha coragem e nem métodos para ir atrás deles. Eu falhei demais comigo mesma, antes de começar a acertar.

O consultório chegou a ter certa repercussão e chegou um momento, depois de muitos anos, que ele simplesmente encheu. Eu trabalhava 12 horas por dia, não parava nem pra comer muitas vezes. O resultado disso foi o aumento de peso, falta de exercícios, alimentação completamente equivocada e um acúmulo de problemas de saúde. Eu não vivia. Ia para casa para chorar e lamentar o fato de me sentir sozinha. Comia o que via pela frente e mantinha esperanças vãs. Um dia as coisas iam se acertar, pensava. Comi demais. Comprei demais. E a crise econômica começou a levar meus pacientes, e minha vida embora. Um dia, absolutamente cansada e estressada, eu simplesmente parei. Mudei todo o esquema do consultório, sai da minha casa e voltei a morar com meus pais. Eu tinha planos na minha cabeça, mas nenhuma vontade de executá-los. Eu precisava ser cuidada, mais uma vez, ao invés de cuidar de tudo e de todos. Eu precisava de um tempo.

Voltei pra a casa dos meus pais. Entrei na academia mais bombada do bairro e mudei completamente a alimentação. Comecei uma dieta Dukan que me levou 14 quilos. Na academia, fui fazer uma coisa que ensaiava há anos: dança. Comecei a frequentar as aulas da Batata e, no final de 2015, já morando novamente com meus pais, fiz a minha primeira apresentação.

Foi um momento de glória. Finalmente eu estava indo na direção certa, mesmo que ainda não soubesse direito o que era. Eu me sentia e casa, plena, o palco, as sapatilhas, a maquiagem, aquilo tudo era muito eu!

Ao mesmo tempo comecei um tratamento de acupuntura. Logo a Marina, o anjo que pousou sobre meus ombros, percebeu tudo sobre mim. Ela tirou o véu que eu trazia , a catarata que me impedia que ver quem eu era realmente. Duas frases me fizeram mudar. A primeira ela disse logo numa das nossas primeiras sessões “você é uma artista. tem alma de artista”. Aquilo me tocou profundamente. A dança, cantar (mesmo que eu só cante num aplicativo de karaokê) e escrever me faziam realmente muito feliz. Eram aquelas coisas que eu poderia começar a fazer as 8 da manhã e só parar as 19 horas e nem percebia.

Mesmo assim, ainda tinha a psicologia e meu amor por ela. Ainda tinham os atendimentos e como eu gosto mesmo deles. Me senti perdida entre dois mundos. Sou psicóloga? Sou artista? Sou taróloga? Sou bailarina? O que diabos eu sou e como eu vou usar tudo isso em prol das pessoas, como eu sempre sonhei? Eu sempre soube que precisava me expor para o mundo, mostrar o meu processo de superação, mas como fazer isso?

E agora, no meio de 2017 a ficha, a grande ficha finalmente caiu: eu sou tudo isso. E ok. Sou o que eu sou. Gosto do que eu gosto e não preciso de nenhum rótulo ou nome pra isso. Eu queria ser blogueira, antes dessa profissão existir e eu não tive preparo para criá-la. Eu queria dançar antes de gorda poder dançar.

Então hoje, eu sou uma mistureba disso tudo. Eu sou quem se expõe, pra mostrar que é possível. Eu sou o exemplo do que fazer para ter autoestima de verdade. Eu uso o meu lado acadêmico para explicar o que eu fiz com a minha vida e como eu consegui superar tanta, tanta, tanta coisa e chegar até aqui. Tenho 41 anos, tenho uma vida pela frente, e não vou parar tão cedo.

Me aguardem. Muitas novidades estão à caminho.

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