Podemos menos por sermos mulheres…

Não queridos, isso não é uma pergunta. Aqui é isso mesmo, uma afirmação. Não podemos tudo, porque somos mulheres. E eu não estou falando do meu idealismo próprio. Não estou falando da Malala e nem da Simone de Beauvoir, estou falando da vida real. Uma coisa é a teoria, e outra, bem diferente é a prática.

Estes dias fui colocada a prova em várias áreas da minha vida. E descobri que não sou a única. Sempre ficou uma pulga atrás da minha orelha pensando: será que as coisas não estão como eu quero por eu ser mulher? Mas eu me negava a olhar isso de frente. Me negava a achar que, por ser mulher, as pessoas me considerariam menos. Mas é a pura realidade.

Eu sou terapeuta e, se eu cobro o que um homem terapeuta médio cobra, eu não como e não pago as minhas contas. É matemática pura: as pessoas “confiam” mais em terapeutas homens. As “mulheres” servem pra quando a pessoa não tem dinheiro para um terapeuta “foda” ou para quando o assunto são “banalidades” como reclamações sobre os homens ou casos de amor sem solução. Só aí, eu já saio perdendo.

Sigo alguns coachs na internet e os homens, geralmente, moram em grandes apartamentos de frente para o mar. Eles cobram, e bem, pelas suas chamadas “consultorias” – em média 400 reais uma hora e precisa fazer 8 sessões – e mais a grana dos cursos e palestras. Enfim, tem como manter um excelente padrão de vida.

As mulher, existem sim. Mas ralam, e muito. Fazem videos muito mais elaborados, investem seu tempo e energia mas, na hora de cobrar, não conseguem. Vejam bem, estou falando aqui de observação e não de dados empíricos. Os videos ou casas das coachs mulheres são mais simples e bem mais acessíveis. Os cursos são mais em conta e eu vejo muita gente dizer “o que uma mulher tem a dizer sobre isso”.

Como eu nunca, jamais fiz nenhum tipo de diferenciação, foi complicado aceitar isso. Para mim somos todos iguais, mas isso deve ser algo de quando eu caí da bicicleta e quebrei a cabeça aos 7 anos. Porque na realidade, nós não podemos tanto.

A parte boa é que não, eu não vou parar de lutar. Eu não vou ver, minhas sobrinhas também não, mas um dia veremos uma coisa chamada “igualdade de gênero”. E isso deve começar com a educação que damos às nossas meninas e meninos. Sim, os meninos que vão cuidar das nossas meninas daqui a alguns anos. Os meninos que vão virar homens – ou monstros em alguns casos. A coisa está complicada e abrir os olhos para isso é difícil, mas necessário. Vamos pensar mais em como mudar isso tudo. Sinceramente, eu ainda não sei.

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