“Love” na Netflix

20160303-netflix-love-1Estava saindo com um cara. Estou. Sei lá, nem sei mais. Mas o que me chamou a atenção nele foi um dia que mandei uma mensagem dessa de “o que você tá fazendo?” e ele respondeu que estava assistindo um seriado chamado “Love” na Netflix. Como queria saber mais sobre ele, corri para assistir e tive uma grata surpresa.

Ele conta a história de Gus (Paul Rust) e Mickey (Gillian Jacobs), duas pessoas por volta dos 30 anos e que já viveram relacionamentos ferrados. Se conhecem numa loja de conveniência e não querem ficar juntos, mas acabam ficando, como se tivessem um ímã que os puxasse um para o outro. Lá pelas tantas descobrimos que Mickey é alcoólatra, viciada em amor e sexo e usuária de drogas (não chega a ser grave isso no seriado). E nenhum dos dois quer cometer os mesmos erros mas, advinha, é justamente isso que eles fazem.

Logo no primeiro episódio Gus tem uma epifania e joga todos os blue- rays de comédias românticas pelo carro alegando que aqueles filmes fazem mal e que ensinam a eles as coisas erradas. Não poderiam estar mais certos. Numa cena bem engraçada ele cita o filme “Uma linda mulher” e diz “uma prostitua jamais se apaixonaria por um cliente, ela roubaria o dinheiro dele”.

A perspectiva é bem diferente do que estamos acostumados em comédias em que tudo dá sempre certo no final. Aqui a proposta é vida real, merdas reais e todas as coisas que fazemos até mesmo sem perceber. Mickey ferra tudo, várias vezes, por conta dos seus vícios e começa a frequentar o AA e um grupo para viciados em sexo. Aparecem também as igrejas falando de amor como se fosse resolver tudo, enfim, um monte de clichês que são desconstruidos pela trama.

Gus, por outro lado, é o lado co-dependente da trama. Ele tenta “ajudar” Mickey de todas as maneiras e acaba só ferrando tudo, claro. Acaba no Al-Anon, tentando entender como funciona a cabeça dela.

Assistir isso tem mesmo me ajudado a entender alguns padrões meus e até revisitá-los. Ela faz sim muita coisa negativa, mas é tudo para não sofrer. Não justifica, porque ferra a vida, mas faz pensar. É uma história que pretendia ser leve mas, no final, pesa porque fala do tipo de amor que a sociedade vende e como isso entra como crença e acaba fazendo com que entendamos tudo errado.

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Vale muito a pena. Já tem duas temporadas na Net

flix e os episódios são curtos, de 30 minutos. Dá pra fazer uma binge-watching e entender muita coisa.

 

 

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