Eu: no meu lugar e tudo sobre o Workshop Stand Out em SP

Hoje acordei nervosa. Vou fazer uma tatuagem nova. Uma que vai fechar, com chave de ouro, um ciclo de doença e caos. Um ciclo para o qual eu não vou voltar nunca mais, mas que vou precisar vigiar para sempre. Um lado negro meu, que foi devidamente dominado.

Não, não é que ele tenha morrido. Esse lado, a co-dependência, é uma sombra e sombras não são destruídas. Elas podem ser ensinadas, podem acabar até ficando do nosso lado, mas elas não morrem. Elas são crianças, revoltadas e medrosas, que estão sim fazendo isso somente pelo que elas acreditam que é o nosso bem. Não é bem, e é isso que precisamos mostrar para elas.

E no final de semana passada a vida me deu um presente e tanto, exatamente para me mostrar meus novos caminhos. Um workshop com blogueiras e modelos plus size, ensinando os macetes do mercado, como fazer as coisas certas. Tudo o que eu precisava para chutar o balde e parar de ir e voltar nos meus objetivos reais e verdadeiros.

Foi uma união, uma fraternidade de gordas lindas e empoderadas. Todas ali querem a mesma coisa. Querem que todas as mulheres, independente de qualquer tipo de corpo, forma, cor, religião ou história de vida, sejam felizes com o que elas são. Querem romper padrões vigentes e avassaladores, onde ser gorda é um pecado pior do que matar alguém.  Escutei elogios sinceros, que não ouvia há muito tempo. Não porque os elogios não existissem mas porque, até aquele momento, eu simplesmente não conseguia escutá-los. Eu não tinha ouvidos. Quando alguém perguntou, na aula de desfile, se eu já tinha desfilado porque estava bom demais para alguém que nunca fez isso, eu lembrei de uma história que marcou a minha vida.

Eu tinha uns 14 anos e estava de férias com a família no Guarujá. Tinham inaugurado uma galeria na frente da praia e todos os dias, a noite, parávamos lá para um sorvete ou comprinhas. Eu, minhas irmãs, minha mãe e minha tia. Uma agencia de modelos de São Paulo, então, bolou uma ação nesse shopping. Todos os dias, alguns “olheiros” convidavam meninas para desfilar no shopping ou elas poderiam fazer a inscrição e desfilar. As mais “bonitas” ganhavam a chance de ir à agencia de São Paulo para serem agenciadas e virarem modelos.

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Camisola: Sizely Lingerie  Foto: Fabiana Ganem

Aquele luxo, glamour, luzes, passarela, me encantavam. Mas a minha autoestima em formação e assolada por bullying dentro de casa, não estava me ajudando. Quando a minha mãe viu aquilo, correu para inscrever a minha irmã, magra (naquele momento numa fase anoréxica) porque ela sempre foi  a “linda” e eu a “inteligente”. Sim, fiquei triste. Eu não queria ser a inteligente MAS feia. Eu queria ser tudo.

Ela não me inscreveu e eu não tive coragem de pedir diretamente para ela fazer isso comigo. Ao invés disso eu perguntei “Mãe, sou bonita?” e ela deu a resposta que voltaria na minha mente pelos próximos 25 anos “Sim, você é bonita (desconfiada). Você é uma gorda bonita”. Aquilo acabou comigo. Eu senti vontade de chorar na mesma hora, enquanto via a minha irmã “bonita” desfilando na passarela, na frente de centenas de pessoas. Eu queria aquilo, mas aquela resposta tinha “me colocado no meu lugar”.

No workshop eu sai do meu lugar colocado e eu voltei para o meu lugar de fato. O lugar ao qual eu pertenço. O lugar de onde eu nunca deveria ter saído. Mas quando somos crianças, adolescentes simplesmente acreditamos. Acreditamos naquilo que a nossa mãe nos fala. Acreditamos que aquelas palavras são amor puro, tudo para o “nosso bem”. Na verdade, só nós mesmas podemos realmente saber o que é para o nosso bem.

E quando sai do workshop sonhei com Deus. Ele me dizia que para jogar numa ribanceiras, de ponta cabeça. Eu fazia que não, aquilo não tinha sentido, eu estava com medo. Acabei de jogando, mas parando no meio do caminho. Ele veio até mim e perguntou porque eu parei e eu disse “eu tenho medo”. E ele respondeu “você precisa confiar que eu vou levá-la de volta para o seu lugar”.

fe-em-deus

E desde então estou aqui, acreditando. Fazendo fotos, marcando para fazer um book profissional, procurando uma agencia. Blogando. Sendo a blogueira que eu sempre fui, muito antes isso tudo ser e ter o glamour que tem e é. Sendo só o que eu sou. E carregando essa máculas do passado com dignidade. As estrias, as celulites, os quilos a mais. As cicatrizes das cirurgias, a gordura no fígado, o refluxo, e tudo o que eu ainda preciso me focar. Mas agora é diferente. É diferente gostar de mim e cuidar de mim agora.

A Fabiana Ganem, que faz as fotos desse blog me disse : “você está diferente, exalando uma autoconfiança de dentro depois desse workshop”. Pois é. Foi bem isso o que fui buscar lá: a permissão de ser eu mesma.

 

 

2 comentários sobre “Eu: no meu lugar e tudo sobre o Workshop Stand Out em SP

  1. Tais Seixas disse:

    Orgulho de vc! !! Parabéns 🎉 adoro ler seus artigos! Me renovam, me dão empoderamento para ser feliz como nós somos e não como os outros querem que nós sejamos!!

    Grata Tais Seixas Kam Acesso Clínicas 99290-1322 Sent from my IPhone

    >

    Curtido por 1 pessoa

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