Quarentena

É absolutamente surreal. Num dia você está fazendo planos de aniversário e pensando “Eu passei por coisas demais, mereço uma boa festa”. Está pensando em usar o seu vestido de poá e a sandália que comprou na internet. Está pensando se o seu novo namorado – e velho amor – vai ao seu churrasco com a família e a festa da sobrinha – que também passou por um monte de coisas – dia 3 de abril. Está pensando que finalmente vai assumir quem você é e o que quer da sua vida e jogar tarô assim, abertamente e em contar ao mundo que sim “Vê gente morta” e tá tudo bem.

Poucos dias depois você acorda às 3 da manhã e parece que vai sufocar. O coração bate tão rápido que parece que vai sair do peito, e você pensa rapidamente “preciso de um hospital”. Só que no segundo seguinte se lembra que não, não pode ir. Tem um vírus assassino a solta na cidade e é melhor ficar em casa. Você mesma se acolhe, se acalma e tenta se convencer de que vai ficar tudo bem. Olha a frase que escreveu no seu quadro de metas “Tudo passa” – parafraseando Chico Xavier, liga um programa de humor na TV e finalmente pega no sono, até o dia seguinte. Um dia no meio de uma infinidade dos dias que você vai precisar ficar em casa.

E eu não estou falando de coisas estranhas e nem de filme de ficção. A maioria das pessoas aqui está na mesma, tendo os mesmos pensamentos, talvez levemente diferentes. E pela primeira vez na minha vida é como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.

Já tive problemas e passei por várias mudanças que você até encontra nesse blog. Mas sempre tinha um lado meu controlando algo. Se o amor acabar eu arrumo outro, se o emprego for perdido abro um negócio e essas barganhas que fazemos com a vida. Agora, não tem barganha. A água que vinha subindo devagar chegou até os nossos pés. Os aliens que invadiram a terra e varreram o solo não eram gigantes, muito pior, eram microscópicos. Estávamos esperando uma coisa e encontramos outra, completamente diferente. E ainda mais assustadora.

Mas a mente, essa danadinha, dá um jeito em tudo. Nosso cérebro e nosso ego quer sobreviver a qualquer custo. Negamos, depois barganhamos, depois deprimimos para finalmente aceitar a produzir. Estabelecemos novas rotinas – como lavar as mãos incontáveis vezes ou usar máscaras no supermercado enquanto compramos mais papel higiênico – e seguimos em frente. Sempre sob os olhos curiosos dos outros, olhos julgadores, que no final só estão tentando desesperadamente saber o que você está fazendo para fazer igual.

E no meio disso encontramos um poder, uma força. Heróis viram bandidos. Bandidos viram heróis. Aquelas pessoas que você admirava furam a quarentena para ir a praia e aquele entojado e machista fala a única coisa que faz sentido. De fato, o mundo foi virado de cabeça para baixo. Todos sairemos transformados disso. Alguns no coração, outros no corpo físico, quase todos na vida. É tempo de novas escolhas. Tempo de assustadoras mudanças.

Publicado por Andrea Pavlo

Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga. Ajudo mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.

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