A delícia de ser o que é…

Essa noite tive insônia. E antes que alguém me diga que meu problema é estresse, eu já adianto: não é. Não, não é que eu não trabalhe bastante e tenha muitas obrigações diárias. Ou pegue fila na balsa, falte dinheiro para sair no finde ou não tenho um medo secreto do meu boy acordar de manhã e achar que eu não sirvo para ele; tenho tudo isso. E mais uma meia dúzia de coisas como um abajour novinho que está quebrado e saga de procurar uma boa mesa para o meu home office.

Mas o caso é: sou mulher. E ser mulher tem algumas particularidades interessantes. Aliás, as coisas que nos fazem humanas sejam, talvez, as partes mais interessantes de tudo.

Estou no período fértil. E isso me deu insônia. Não acontece todos os meses, mas ontem tive dores, calores e insônia, além dos sintomas clássicos como um corrimento parecido com clara de ovo. E sim, somos assim, somos essa montanha russa hormonal.

Outro dia assisti um episódio do sitcom “Vai que Cola”, antigo, em que as mulheres estavam todas de TPM. A primeira coisa interessante era: elas não sabiam que estavam de TPM e, quando descobriam, ficavam contrariadas, querendo negar o fato. É como se, culturalmente, precisassemos ser mais fortes do que nossos hormônios.

Um homem jamais vai saber o que é essa luta diária com os nossos hormônios. Jamais! Para eles, todos os dias são iguais. Não para nós. O patriarcado, entretanto, nos fez acreditar que a mera menção dos sintomas nos faria fracas. “Não, eu não tenho TPM, sou uma mulher forte e bem resolvida”, dizia a Dona Jô, personagem que representa uma mulher madura, dona da pensão no seriado. Mas e aí? Mulheres que sentem a TPM são fracas? Não conseguem “controlar” suas emoções?

Isso vem da falsa noção de que emoções são descartáveis e controláveis. Sim, os pensamentos são coisas que podemos mudar. Podemos mudar o nosso mindset (a tal da mentalidade tão falada), mas isso requer tempo e treino. Não é simplesmente ignorar que se está triste por conta dos hormônio ou que queria um balde de sorvete e uma sessão da tarde só por um dia

Ainda sonho com o dia em que as mulheres poderão ter a opção de não irem ao trabalho “naqueles dias”. Quais dias? Os dias em que são, literalmente, mulheres. Mulheres que precisam passar por altos e baixos emocionais, dores, medo, pavor e mais um turbilhão de emoções. Os dias que elas sentem tanto, que literalmente fazem transformações importantes na própria vida. Aqueles dias do mês em que a mamãe natureza nos proibe de não ver as coisas à nossa frente, aquelas sujeirinhas da vida que mandamos para debaixo do tapete, seja com relação aos outros ou a nos mesmas.

A nossa responsabilidade é: nos conhecermos. Sabermos realmente quem nós somos, como funciona o nosso ciclo (sabia que os ciclos podem ter de 28 até 35 dias e isso é bem normal – o meu é de 32 dias, por exemplo). Como funcionamos quando estamos na TPM ou na tensão pós-menstrual. Entender e conhecer a nossa libido, os dias que precisamos de colo e os dias que precisamos de sexo selvagem.

Os homens reclamam que nós somos instáveis, pois é, somos mesmo. Pois é a instabilidade que traz a transformações. Não tem como nada mudar se for absolutamente fixa, não é mesmo. Transformação como trazer uma vida ao mundo, alimentar e criar uma criança. Ou seja, simplesmente o maior dom de todos.

Vamos respeitar a nossa mulher interior. Vamos respeitar os nossos ciclos.

Publicado por Andrea Pavlo

Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa. Mãe da Nina de quatro patas, gosto de viajar, ler e sempre continuar estudando.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: