O perigo que é viver

Estou com gripe. Daquelas pesadonas mesmo. Fiquei enrolando meses para tomar a vacina. Passei maio inteiro pensando nisso, mas com um trabalho, casa, cachorro e um casamento para organizar, o tempo é realmente algo muito precioso.

Enfim, há dois dias acordei com dores de garganta, nariz completamente entupido, coriza e dores pelo corpo. Hoje as dores diminuiram, mas o cansaço e a prostração vieram. Desmarquei meus compromissos e tentei descansar. Agora a tarde, um pouco melhor, vim trabalhar.

Aí, no espelho, na hora de me arrumar vi uma manchinha vermelha. Possivelmente fruto do frio e da desidratação. Ando bem relapsa com a minha saúde, bebendo pouca água e comendo coisas não muito saudáveis. Também esqueço com certa frequencia o hidratante facial e o filtro solar e, convenhamos, tudo cobra um preço.

Quando eu vi a manchinha entrei em pânico. Fiquei pensando se não era dengue, zika ou um aglomerado de problemas de saúde que podem nos pegar a qualquer momento. A lembrança de que não somos eternos e que podemos simplesmente desaparecer em um mês, algunas semanas ou até mesmo de uma hora para a outra.

Freud já dizia que a maior angustia do ser humano é viver sabendo que vai morrer. Que isso, por si só , seria a causa de vários dos nossos problemas psiquiátricos. Eu acho que ele esteja errado, mas viver pensando no dia da morte precisa de um limite.

Estou assistindo um seriado chamado Lucifer e um dos personagens imortais só quer morrer. Mas ele não consegue, porque é imortal, e isso o aterroriza. Na realidade isso é o castigo de Deus para ele (no caso é Caim, que foi o primeiro assassino da humanidade e por isso recebeu esse castigo de Deus). De fato, o que ele fala, é que damos muito mais valor às coisas quando sabemos que podemos perdê-las. Damos mais valor a saúde, quando estamos doentes. Damos mais valor às pessoas quando estão separadas de nós, enfim aprendemos por contraste. Se algo está lá o tempo todo, acabamos não valorizando.

E sempre que eu tenho uma gripe eu penso: vou cuidar melhor da minha saúde. E faço isso, por um tempo. Mas aí vem a vida e me tira do foco e vem a doença para me lembrar de manter o foco. Enfim, é uma luta diária com a nossa vontade de viver e a nossa pulsão de morrer. Viver, sabendo que a doença nos espreita, mas mesmo assim seguir em frente, com entusiasmo, para deixar o melhor quando o inevitável acontecer.

Então, não vou me assustar com uma manchinha na pele. Levantei, hidratei a pele e coloquei um copão de limonada ao lado do computador, com muitos limões e vitamina C. E sim, posso voltar a viver a minha vida, mas sempre saber que a prioridade sou eu. E um monte de gente vai tentar fazer com que você não ache isso, desista disso, ou priorize a eles. Não deixe. A prioridade somos nós e mesmo que precisemos ficar doente 9 mil vezes, a vida vai nos ensinar essa lição.

Eu estou aprendendo!Sempre!

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