Emagreça sem dieta

Olá, meu nome é Andrea e eu sou uma VED – viciada em dieta – em recuperação.

Oi Andrea.

Tudo começou nos meus 11 anos, quando eu ganhei corpo de mulher e meus parentes acharam que aquilo era um caminho sem volta para a obesidade. Eram os anos 80, 1987 para ser exata, e na época a febre dos remédios emagrecedores era geral. Todo mundo drogado pela rua, esperando um milagre. Eu entrei nessa, levada pelos meus pais.

De lá para cá nunca, nunca, nunca parei de fazer dietas. Alternava períodos de comilanças incríveis com períodos de fome e escasses. Tomei a sopa da Adriana Galisteu de canudinho, tomava só limonada o dia todo, comi só arroz integral por dias a fio. Fiz a dieta sem carboidratos, sem acúcar, sem graça. Sem gordura. Experimentei todos os produtos diet e light do supermercado. Até Dolly Guaraná diet eu tomava. Foi o fundo do poço.

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Até que um dia eu encontrei esse grupo de ajuda e comecei a minha recuperação. Estou há 8 meses sem fazer dieta “só por hoje”. Engordei 10 quilos nesse período porque o padrão era “ou estou de dieta ou estou comendo o mundo todo”, então me permiti fazer isso. Deixei que o meu corpo falasse sozinho. Deixei a ansiedade de controlar a alimentação a todo custo chegar ao ponto mais alto e gastar a energia disso.

Hoje estou completamente diferente. Há uns dois meses comecei a trocar algumas coisas na alimentação. Assim, devagar. Tirei os alimentos que me faziam mal para o refluxo ou para o fígado. Depois, fui trocando lentamente o pão francês por integral. O arroz branco por integral e todos os carboidratos. Deixei de comprar sacos de salgadinhos. Eu compro um, como, e só compro outro lá na outa semana quando volto ao supermercado. No começo, cheguei a parar duas vezes num posto de gasolina para comprá-los. Mas a gana por comprar e comer começou a passar. Eu percebi que poderia comprar um pacote quando quissesse, que o tempo de ser controlada pela minha dieta tinha acabado. O desespero foi diminuindo.

Voltei para a  academia há um mês atrás, para fazer hidroginastica e aeróbico. Confesso que ainda tenho que trabalhar a minha assiduidade às aulas e ao plano que eu fiz, mas acho que preciso ter a mesma paciência que tive com a comida.

shanice-garcia-43229-unsplashHoje estou comendo bem melhor. Fiz marmitinhas saudáveis – leia arroz integral, feijão e um legume que eu goste com uma proteina – e deixei no freeezer para fugir da “tô com fome vou comer qualquer coisa na rua”. Não que isso não aconteça, mas se acontece eu não faço nada – nada – no dia seguinte para compensar. Eu simplesmente sigo com a minha vida, voltando para a alimentação que me deixa mais leve e feliz.

Segunda-feira passada me vi dando ouvidos a VED, quando pedi 3 mini-coxinhas na Di Cunto. Justifiquei para a garçonete “eu não deveria estar comendo coxinha”. Mas aí eu me toquei na hora, conversei com o grupo e melhorei. Ufa!  É dificil se livrar dos vícios e das culpas. Mas eu estou dominando a mim mesma e a minha mente agora.

Não faço um só dia de dieta. Nunca mais. E como tudo, tudo mesmo, que tenho vontade. Mas hoje a vontade é menor. É menor porque não existe mais proibições. Não existe “eu vou engordar e parar de me amar”. Na verdade, o que tememos nem é o engordar em si, mas o quanto vamos nos destruir por dentro com isso. Quantas broncas daremos ao nosso corpo e o quanto vamos acabar com a gente mesmo no processo.

Eu estou mais gorda do que jamais estive e tudo bem. Essa semana eu percebi que já emagreci quase três quilos, simplesmente mudando a relação que tinha com a comida. Ainda como chocolates todos os dias, não abro mão, amo demais. Tomo refrigerante zero porque prefiro o sabor, acostumei. Mastigo bem os alimentos de tanto que acabei fazendo isso nas dietas, mas isso é uma coisa boa. Sempre coloco um verdinho no prato, principalmente saladas que eu gosto, como alface e rúcula. E me sinto ótima.

Não interessa o quanto eu vá ou não emagrecer. Cada quilo perdido será bom para o meu problema nos pés, dois esporões que eu chamo de Tico&Teco, que me causam dores horríveis. Sei que essa alimentação melhorou minhas dores de estômago, a pangastrite que eu acabei desenvolvendo e as crises noturnas de refluxo. Mas isso é só o começo. O foco não é nos quilos perdidos, pela primeira vez na minha vida. O foco é eu estar bem, comigo mesma, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Estou ótima. Feliz. E estar mais magra é só uma consequencia disso. Assim como dinheiro é só uma consequencia de estar feliz com o seu trabalho. Realmente pessoal, a vida começa aos 40.

#semdieta #soporhoje

Obrigada por me ouvirem.

 

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