Dialeto fitness e gordofobia na academia

Eu faço academia. Sim, sou uma gorda que faz academia. E faço uma das melhores academia do meu bairro, a Cia Atlética. Eu adoro essa academia. Fiquei um tempo afastada – fazendo curso de dança que tive que abandonar por conta dos esporões dos pés – e agora voltei. Estou fazendo só hidriginástica por enquanto, mas pretendo aumentar a grade para um pouco mais de aeróbicos e alongamento. Quem sabe um spinning.

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Eis que, na aula anterior à Páscoa, o professor começou com seu “discurso de professor de educação física”. Dizendo coisas como “vamos acelerar para poder comer bacalhau e ovos de Páscoa”. Essa coisa foi repetida à exaustão, a ponto de eu pensar seriamente em abandonar a aula. Isso porque, na minha concepção, comida é comida. Exercício é exercício.

O que acontece é que o exercício é sempre colocado como uma punição ao ato de comer. Principalmente o “comer demais” ou ao comer coisas como chocolate, coisas que dão prazer. Assim, exercício é sempre visto com desconfiança pela maioria das pessoas. Eu vou comer, vou me senti culpado e vou malhar e “queimar os bacons”, como se eu fosse uma porca ou outro animal famoso pela sua pretuberância e gula.

Isso gerou em mim, muitas vezes, um desconforto descomunal. Mesmo que eu nem mesmo soubesse o por quê de  eu estar me sentindo desconfortável. Ver mulheres magras reclamando da barriguinha que não existe, ouvir do professor “você emagreceu” como um tipo de elogio, isso tudo detona a autoestima de qualquer cristão. Eu então, gorda, acostumada a ser colocar na rodinha das “amigas feias” pior ainda.

No final, essa coisas são uma fábrica de torturas e não de prazer. Exercícios físico é muito prazeroso. Ele te faz sentir o coração bater, sentir as musculaturas do seu corpo. Faz você suar e, depois de tudo, liberar endorfinas que te fazem ficar bem o dia todo. Mas que endorfinas suportam a gordofibia indoor das academias? Que endorfinas mágicas não vão te trazer uma imensa sensação de culpa e de estar sendo a única gorda “sem força de vontade” da academia toda?

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Eu já ouvi tantos absurdos em academias que daria um livro.Pena que na época eu não me amava e achava mesmo aquilo normal. Agora eu já vejo que não é assim que a banda toca. Ninguém vai me fazer sentir mal com o meu corpo e eu vou sim brigar para que o discurso vigente mude. Urgentemente.

Em breve vou publicar um post sobre experiencias ruins na academia. Se você tiver histórias, mandem pra mim!

Publicado por Andrea Pavlo

Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa. Mãe da Nina de quatro patas, gosto de viajar, ler e sempre continuar estudando.

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