Quando não podemos desistir

Hoje eu não estou muito bem emocionalmente. E sim, estou acostumada com isso. Só que antes eu não me tocava que isso era necessário e só uma coisa que passava. Passa. Mas enquanto não passa é bom saber dos por quês.

Lembro de quando fazia um tratamento para emagrecer -sempre isso – com um médico ortomolecular. A consulta dele é caríssima, mas vale cada centavo. Ele, apesar de querer te emagrecer e de tomar oito – sim você leu certo – cápsulas de ômega 3 por dia, é espírita. Então a sessão abordava o espiritual, mental e emocional.

Uma vez cheguei lá péssima. Ele me pediu para deitar para ele examinar e começou a ter alguns insights sobre minha vida passada. Ele dizia que me via sozinha, numa cabana no meio da floresta. Eu tinha sido expulsa de um grupo -não sei se ele falou o que era – e vivia sozinha lá. Ele falou que acabei me matando, desistindo de viver e que esse era o meu karma.

Em outra consulta desse tipo, com um médium que desenha você numa vida passada, a história se repetia. Eu morando só, uma índia que tinha sido abusada dentro da tribo e tratada como prostituta. Lá pelas tantas fui expulsa e fui morta por um urso pardo. Coincidência ou não, o urso pardo é um dos meus animais de força.

Não posso dizer que todas essas histórias são reais. Não existem provas de nada referente a vidas passadas. Mas o pano de fundo é totalmente familiar: viver só e isolada porque incomodava demais.

Porque não permitia ser abusada. Porque não queria ser mais uma na multidão de hipocrisia e das coisas idiotas que a maioria das pessoas acredita. E isso não me faz melhor, muito pelo contrário. Só me faz sentir mais dor.

Mas o que eu preciso focar é: eu não posso desistir. Não posso parar. Posso mudar, me transformar, mas não desistir. E isso é por vezes bem difícil. Como agora, que mais alguns fantasmas do passado foram desvendados. Sempre que eles aparecem, eu preciso angariar forças de uma fonte que só pode ser infinita. Eu arranco, arranhando, mordendo, respirando, forças de Deus.

E não existe ajuda. Ainda sou eu sozinha numa cabana. As pessoas vivendo as próprias vidas. E isso não está errado, é assim mesmo. Mas eu já queria poder viver num mundo onde as questões emocionais dos outros fossem valorizadas. Onde as pessoas não saissem correndo quando alguém pede para ser escutado. Esse mundo ainda não existe.

Eu vou seguir. Não vou desistir. Vou tomar um bom banho, passar a minha alfazema. Tomar um remédio para a dor de cabeça. Marcar uma massagem relaxante. Uma boa sessão de acupuntura para as dores do corpo. E seguir. Minha história é pesada e cada dia mais tenho vontade de contá-la para o mundo. E estou realmente angariando forças para isso. E coragem. Porque vou mesmo precisar.

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