Quando é certo, simplesmente acontece

Entramos no carro, depois dele abrir a porta para mim, em frente ao bar. Era um encontro, mais um, de alguém que eu conhecera duas semanas antes, no Tinder. O encontro quase não aconteceu: eu cansada, ele atrasado, eu mal humorada. Ele soltou “a noite só começou para mim, tem certeza de que não quer sair mais?”. Topei. De bico. Mas fui.

No caminho de volta eu só conseguia pensar se ele ia me beijar. Sei lá, parecia que sim…na verdade parecia que não. Se ele vier com a história de sermos só bons amigos, eu mudo para um convento amanhã mesmo. Palhaçada.

Eu queria o beijo. Mas só isso. Não que o corpo não fosse acender, eu sabia que iria, eu sentia isso. Mas a cabeça estava apavorada. E se for só alguém louco por sexo, um sexo que – aprendi a duras penas – eu não consigo fazer sem envolvimento? E se essa gentileza toda for de fachada? Dúvidas de uma mulher que se permitiu viver e bater a cabeça algumas vezes.

E ali, na frente do meu prédio, trocamos alguma palavras. Eu não lembro da cantada direito, alguma coisa sobre o meu batom. É estranho como somos bichos, instinto puro nessa hora.

E a vida, ah essa danadinha, queria dar uma força. Comecou a tocar “Perfect”, ainda a versão só do Ed Sheran no rádio. E ele me beijou. Cheguei a perguntar se ele combinou de tocar uma música daquelas, bem naquela hora… não é possível. Mas foi. Exatamente o que aconteceu.

E desde então não nos desgrudamos mais. E não, ele não era um cara louco – só – pelo sexo. A gentileza é coisa dele, muito dele, além de uma lista de outras qualidades. É como se nos conhecêssemos a vida toda. E não, isso não é clichê de mulher apaixonada.

Todos estavam certos. Não tinha nada errado comigo. Era só o tempo, guardando o melhor para o final, como aquele pedaçinho de queijo que derreteu e ficou crocante – e que ele tirou do sanduíche dele para me dar. Ou o bolo de cenoura, depois de só um comentário.

Hoje faz três meses e eu não sei mais como seria a minha vida sem ele. Mas ainda tem tanto para gente. Pela primeira vez na vida eu sei, de verdade, o que é isso.

Feliz três meses mozão!

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