Autosabotagem

Esse termo é ótimo. É um dos melhores termos que eu já vi na vida. E é muito simples: toda as coisas que não dão muito certo nas nossas vidas, principalmente aquelas que se repetem muito, são processos de autosabotagem.

Nós queremos. Queremos o bem. Queremos o relacionamento legal, queremos o emprego dos sonhos, queremos dinheiro e filhos felizes. Mas existe uma voz lá dentro, o que Freud chamou de “Pulsão de morte” que é o nosso lado negro. Essa pulsão tem medo. Essa pulsão sofre, não quer sair da zona de conforto – por mais desconfortável que ela seja – mas não consegue admitir isso. Quando não admitimos que o medo que está à espreita, simplesmente nos sabotamos.

Pode ser uma briga boba com o namorado novo. Pode ser fazer aquela cagada no escritório. Pode ser qualquer coisa que nos desvie de caminhos que estavam indo tão bem, poxa. Eu já passei por isso milhões de vezes, mas me lembro bem de uma específica.

Eu tinha acabado de me formar em marketing e queria uma boa vaga, em uma boa empresa. Consegui passar num concorridíssimo processo seletivo de uma grande multinacional – oito etapas – e cheguei na última. Era o dia do “você ou você”, ou seja, só tinham dois candidatos para aquela vaga e todo o staff da empresa – diretores e presidente – estavam lá. A coisa era realmente o dia D.

Naquele dia acordei atrasada. Começa por aí. Nas sete etapas anteriores isso não tinha acontecido. Ao invés de colocar um bom terninho (eram os anos 2000 e isso ainda era necessário), meti um vestidão que tinha comprado numa feira hippie em Florianópolis. O vestido era lindo, mas era para um bom dia na praia e não para a última etapa de um processo seletivo daqueles. Os cabelos deixei ao vento, super wild and free, e sapequei um belo par de havaianas (aquelas mais chiques, mas ainda assim chinelas). Sem um pingo de maquiagem, fui de bolsa molenga. Cheguei atrasada.

Entrei na sala mascando chiclete e, sinceramente, não me lembro mais o que diabos aconteceu lá dentro. Na saída, só pra dar aquela arrematada, eu derrubei – sim vocês leram certo – o filtro de água (aquelas com um galão enorme em cima, sabe) não tenho a menor ideia de como até hoje. Molhou as minhas Havainas e o meu vestido. E inundou a sala de reuniões a ponto da pessoas sair pra ver o que estava acontecendo.  Se isso não foi um imenso processo de autosabotagem, bom, eu não sei o que foi.

Precisamos nos policiar nesses termos. A felicidade é possível e é bom que sempre deixemos isso muito claro pra nós mesmas. Precisamos sim aprender a acreditar e a confiar. Entender que as mudanças são mesmo necessárias e que isso não é uma ameaça ao nosso ego. Só assim poderemos ter uma vida plena, feliz e sem se sabotar. Jamais!

 

2 comentários sobre “Autosabotagem

  1. Fabiana Gomes Louro disse:

    Pulsão de morte não é isso guria.

    Eu recomendaria que você lesse Lacan.
    Esse processo que descreveu casa muito com os processos inconscientes da linguagem, do tolher a nossa liberdade. E não é tão simples assim não. Porque quando você viu, já fez. São mecanismos mais poderosos que seu simples ego. Mas através da análise é possível você conhecer o que Freud chamou de Além do Princípio de Prazer e o que Lacan vai chamar de gozo . Nós temos um grande prazer nas desventuras. Porque? Não dá pra saber. Mas não é admitir medo ou sabotagem é admitir que existe um gozo aí é isso faz o comportamento continuar.
    Quer romper essa contingência. Então tem que encontrar onde está o ganho. O que você perdia ganhando esse emprego. O que você ganhava não conseguindo o emprego?
    Perguntas muito válidas.

    A gente acha que quer alguma coisa. Mas aquilo que queremos mesmo, a gente consegue ontem. Rs

    Fabi

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