Desprometendo

 

“Para sermos felizes é preciso alguém para amar, alguma coisa pra fazer e algo que desejar.” – Melody Beattie em “Co-dependencia nunca mais”

Terminei o livro acima hoje. Exausta. Depois de mais um processo que começou numa conversa infindável com um amigo. Uma coisa que eu prometi, aos nove anos, e que vinha cumprindo minuciosamente. Prometi nunca me casar.

Não é necessário saber o que aconteceu para eu chegar nisso, aos nove anos. Mas é pra saber que sim, fazemos promessas a nós mesmos, nos momentos de dor. Quando o inferno é tamanho que só queremos ir embora. Quando qualquer coisa que te lembre aquela sensação te mataria.

Eu decidi isso, aos nove anos, e passei os últimos 20 me perguntando porquê não. Por quê nunca deu realmente certo? Por quê amar para mim sempre foi alguma coisa muito difícil? Todas as cobranças e loucuras da co-dependência justificaram em parte, mas ainda não explicavam. Co-dependentes costumam se casar, e cedo, rápido para poder expressar ainda mais o seu ‘amor’.

Eu só queria ir embora. Eu queria morar sozinha. Não com mais ninguém. Sozinha. Queria tomar as minhas próprias decisões e não ser atacada por querer qualquer coisa que fosse. Sentia raiva, raiva de não ter poder para simplesmente ir embora.

Não, não pensei a vida toda no dia do meu casamento. Não entendo programas de TV que mostram isso. Nunca entendi a obsessão com o vestido de noiva e o amor aos bem casados. Isso tudo era uma coisa proibida, escondida no meio de mim mesma. Hoje eu peguei a menina no colo, expliquei a ela o que tinha acontecido e pedi “Vamos ‘desprometer’ isso?”

Ela aceitou, depois de relutar e perguntar novamente se eu jurava que não seria daquele mesmo jeito. Eu prometi, desta vez uma promessa boa. Só vamos nos casar se for para ser bom. Com um homem legal e que não seja doente, está bem? Com nenhuma doença da alma, tudo bem? Ela concordou, sorriu para mim. Eu senti o estômago, que passou os últimos 30 anos apertado, finalmente se afrouxar. Descemos as escadas e fomos parar num parque de diversões, onde brincamos na xícara maluca, no carrinho de bate bate e na casa dos espelhos.

Ela voltou a sentir e a sorrir. Ela saiu daquela velha sensação de não estar sentindo nada. Ela não quer, e nem precisa mais, guardar os pedaços dolorosos. Ela só quer brincar no parque, com uma excelente companhia. Alguém que a ame, de verdade. E que queira realmente cuidar dela. Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável.

Meu Deus que alívio. Acho que não vou parar de suspirar tão cedo.

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