Só….por hoje

Olá, meu nome é Andrea e eu sou co-dependente.

Na verdade prefiro dizer, já que sei que é a realidade, que tenho uma co-dependente morando dentro de mim. Um espaço meu onde existe uma grande sombra. Uma sombra que “precisa”.

Que é precisamente o que estragou meus relacionamentos. É o que tomou conta de mim tão completamente, tão profundamente, que esqueci de quem eu era. De todas as minhas verdades, da minha “mulher” profundamente bem elaborada. Um pedaço do meu ego que fez com que eu achasse que era ela.

E ela é feia. Extremamente gorda e compulsiva. Compra demais. Come demais. Trabalha demais.  E por anos ela controlou meus gastos e meu peso. Com o tempo, mesmo sem saber seu nome, eu consegui controlar melhor isso. Mas, por vezes, ela se atirava em cima de mim como uma zumbi faminta e me devorava. E quando ela fazia isso, esquece, eu não tinha a menor chance.

Eu encontrei com ela por acaso. Do destino. Apaixonada que estava, ela ressurgiu das cinzas como uma fênix. Ficou mais forte e mais clara do que nunca. Levou de mim todas as minhas forças, me possuiu. Me fez fazer coisas que eu, em sã consciência (e agora entendendo a expressão), jamais faria.

E eu não sabia mais o que era o amor. Será que ainda era amor? Será que foi só ela se ligando a um objeto de cuidado? De novo? Deixei o tempo passar, a poeira abaixar. Analisei profundamente meus sentimentos. Senti profundamente meus sentimentos. Sentir é uma palavra perigosa para mim, agora que eu sei que é isso que “ela” (aquela que não podemos dizer o nome) usa.

Ainda era amor. Ainda é. Mas é tão diferente. Amor, descobri, não tem cobrança. Amor, entendi, não é exagero, não são crises de ciúmes. Amor é olhar no olho no outro e só sentir o que existe de verdade. Não precisa de prova, não precisa de anel no dedo. Amor, é respeito. Não só pelo outro, mas principalmente pela gente mesmo. Amor é não aceitar tudo, amor é entender que temos necessidades e cuidar delas. Amor, pelo outro, ainda é um puta amor pela gente.

E agora, eu sou o baby, e preciso me amar (piada do tio do pavê para descontrair o assunto sério). E quando eu realmente sentir que estou me amando profundamente, terei condições de estar amando profundamente o outro. Condições. Bons ventos, tempo firme. Agora não é hora de amar o outro, ainda que o amor exista lá dentro. E é bom de sentir, porque não depende mais dela. Nem de nada. Não é mais o amor-dor de outrora.

Agora fui ser amada por aí. Não por um homem, porque essa vaga está ocupada. Mas fui ser amada pelos meus sobrinhos, que me deitaram na caminha baixa deles, com edredons de princesas e me mostraram vídeos no YouTube dos Shopkins, enquanto o menor aprendia a falar “baaaa tommm” e dizer coisas como “Titia. Dedei. Oh”. E aí, talvez pela primeira vez, senti um amor imenso, que não precisava de mais nada, só daquilo. Daqueles abraços de mãos pequenininhas. De dedinhos curiosos no meu sutiã, no meu cinto, na minha bolsa. Uma curiosidade em mim.

Curiosidade pelo outro é amor.

Estou só… por hoje.

 

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