Conte a sua história

Sim, eu assisti o filme.

Na verdade, para quem assistiu só essa frase já bastaria. Para quem assistir e, como eu, é junguiano. E ama arte. Meu Deus, fizeram o filme para mim?

Nise era uma mulher pequena e magra. Uma das primeiras médicas formadas no Brasil, quando só homens frequentavam a faculdade de medicina. Ela tinha um companheiro, alguém amigo e amante que a apoiava, e três gatos. E trabalhava no hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro, daqueles que nos anos 40 parecia mais um hospício. Pera, era um hospício…

Aí ela chegou cheia das ideias. Que nem essas pessoas que chegam com ideias sabe, que saco? Por que não cala a boca e continua fazendo as coisas igual, que droga, só vem dar trabalho para gente…Tava tudo bem, os psiquiatra enfiando picador de gelo na cabeça dos malucos para justificar seu sadismo. Ou então conectando fios de eletrochoque para…pera….justificar seu sadismo também. Sendo misóginos e machistas com a doutora, enfim, tudo normal.

nise

Aí ela introduziu a arte para o que ela chama clientes (e não pacientes, e que eu concordo e também uso). E….sensacional. Bocas abertas, críticos de arte estupefatos. Clientes mais calmos e felizes. Alegria, amor, compreensão e cura onde só existia um hospício. Até carta de Jung ela ganhou (na realidade, não mostra no filme, mas ela chegou a conhecer Jung pessoalmente e isso sim me causou uma puta inveja porque Jung era um cara para quem eu daria)!

As coisas que eles faziam…a arte, os quadros, a construção do imaginário, como o inconsciente se manifestava. A arte trouxe o que estava lá dentro, sem palavras. As pessoas não conseguiam contar a sua história e muitas vezes a cura está em simplesmente poder contar a sua história (vide esse blog).

Fiquei pensando em como eu conto a minha história e pensei…não ando contando a minha história e vou começar a fazer isso com a arte que eu domino: escrever. E também dançar e cantar, mas aí eu só conto um pedaço da história. Aqui fica mais completo. Arte é o que mandaram para gente se curar. Não interessa se ela é se jogar na boquinha da garrafa ou escrever uma ópera. Precisa fazer! Precisa aceitar e fazer arte. Qualquer uma que você quiser. Precisa deixar seu inconsciente extravasar!

O mesmo tanto de vida que existe para dentro, existe para fora. É muita vida dentro de você para ficar assim, sem ser escutada. Essa é a loucura. Quando é tanto, tanto, tanto que explode. Ou implode. Esse é o principio da doença, da dor, da depressão e de tantas outras coisas. Conte a sua história, ficou na minha cabeça…sim, vou contar. Já estou contando.

 

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